Connect with us

Noticias

Quando o Dia dos Pais também é uma lembrança da rejeição

Publicado a

em

No último domingo (9), enquanto o Brasil celebrava o Dia dos Pais, comecei a percorrer o feed das redes sociais. Como acontece em toda data comemorativa, as publicações seguiam um roteiro já conhecido: homenagens emocionadas, declarações ao “melhor pai do mundo”, campanhas publicitárias de roupas, perfumes e presentes.

Até que um vídeo do criador de conteúdo especializado em automóveis, Eduardo Emanuel, interrompeu esse fluxo de celebrações. Seu relato trouxe uma perspectiva pouco lembrada nesta época do ano: para muitas pessoas, especialmente filhos LGBTQIA+, o Dia dos Pais não desperta afeto ou saudade, mas dor, ausência e rejeição.

No vídeo, Eduardo fala sobre uma realidade vivida por muitos homens gays: a expulsão de casa após assumirem sua orientação sexual e o sentimento de culpa por simplesmente serem quem são.

Publicidade

“Eu acho que isso é importante quando estamos em uma posição de criador de conteúdo. Foi uma forma de fazer com que as pessoas se sintam acolhidas com este assunto”, afirma Eduardo.

Para o psicólogo Ernani Gomes, sob a perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), expulsar um filho de casa em razão de sua orientação sexual configura uma forma de violência intrafamiliar e de LGBTQIA+fobia. Segundo o especialista, condicionar o amor, o acolhimento ou a permanência de um filho no ambiente familiar à sua orientação sexual representa uma prática violenta, que muitas vezes se estende ao afastamento de outros membros da família, reforçando o isolamento da vítima.

Ernani explica que esse rompimento pode desencadear uma série de consequências emocionais e sociais, como traumas relacionados ao abandono, dificuldades para estudar, trabalhar, conquistar independência financeira e até mesmo concluir a formação profissional, especialmente quando a expulsão ocorre ainda na adolescência ou no início da vida adulta. “A família é a primeira rede de apoio do ser humano. Quando esse vínculo é rompido pelo preconceito, a pessoa pode desenvolver sentimentos profundos de culpa, medo, rejeição e abandono, aumentando, inclusive, o risco de quadros graves de sofrimento psíquico e ideação suicida”, afirma.

O psicólogo ressalta ainda que a orientação sexual jamais deve ser motivo de culpa ou medo. “Toda pessoa merece ser acolhida, respeitada e viver sua identidade com segurança. O apoio familiar é um fator essencial para a saúde mental e para o desenvolvimento saudável de qualquer indivíduo”, conclui.

Eduardo conta que foi durante a terapia que compreendeu a necessidade de direcionar sua energia para os próprios projetos e para a construção da carreira. Em vez de permitir que a rejeição definisse sua história, decidiu investir naquilo em que acreditava. Hoje, soma mais de 194 mil seguidores nas redes sociais.

Publicidade

Seu trabalho também rompe estereótipos. Em um universo tradicionalmente associado à masculinidade, Eduardo fala sobre carros com conhecimento técnico e naturalidade, mostrando que competência não tem orientação sexual. Em sua descrição nas redes sociais, ele afirma produzir conteúdo sobre automóveis para gays e mulheres — uma forma de acolher quem historicamente foi excluído desse espaço e, ao mesmo tempo, deixar claro que não pretende conquistar quem insiste em reproduzir preconceitos.

Enquanto muitos comemoram a presença e o amor de seus pais, outros ainda carregam as marcas da rejeição e da ausência provocadas pelo preconceito. Dar visibilidade a essas histórias é também um convite à reflexão: nenhuma orientação sexual deveria ser motivo para romper um vínculo familiar. Afinal, o maior presente que um pai pode oferecer a um filho nunca será um objeto, mas o acolhimento, o respeito e o amor incondicional.

Clique para assistir

Publicidade

Fique por dentro!

Para ficar por dentro de tudo sobre o universo dos famosos e do entretenimento siga o Bum TV no Instagram.

Publicidade

** A opinião expressa neste texto não é necessariamente a mesma deste site de notícias.

© 2023 Bum TV | A reprodução deste conteúdo é estritamente proibida sem autorização prévia.

Publicidade
Continue Lendo

Mais Lidas

© Todos os direitos reservados. Entre em contato pelo email bumtv.com.br@gmail.com